As auroras boreais e austrais deslumbram e inspiram todos aqueles que as contemplam desde tempos imemoriais. Assim como a Lua, as estrelas, as constelações e os planetas, elas são consideradas parte permanente de nossa herança cultural compartilhada. Esses espetáculos de luz impressionantes são o resultado da interação de partÃculas carregadas do Sol com o campo magnético da Terra. No entanto, ainda existem questões sem resposta sobre os mecanismos que impulsionam as auroras, que os cientistas esperam solucionar há décadas. Por exemplo, há a questão de o que alimenta os campos elétricos que aceleram essas partÃculas.
Em um novo estudo, pesquisadores do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Hong Kong (HKU) e do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), encontraram a resposta. De acordo com a análise, as ondas de plasma que viajam ao longo das linhas do campo magnético da Terra (ondas de Alfvén) atuam como um acelerador natural. Ao analisar como as partÃculas carregadas se movem e ganham energia em diferentes regiões do espaço, a equipe demonstrou que essas ondas fornecem a energia que impulsiona as partÃculas carregadas para a atmosfera, produzindo as auroras.
A equipe analisou dados de múltiplos satélites em órbita da Terra, incluindo as sondas Van Allen da NASA e a missão THEMIS (Time History of Events and Macroscale Interactions during Substorms). Como descreveram em um artigo publicado na Nature Communications, os dados mostraram como as ondas de Alfvén mantêm os campos elétricos que, de outra forma, se dissipariam, transferindo continuamente energia para a região de aceleração. O professor Zhonghua Yao, da Universidade de Hong Kong (HKU), lidera uma equipe dedicada à ciência espacial e planetária. Como ele afirmou em um comunicado à imprensa da HKU:
Esta descoberta não só fornece uma resposta definitiva para a fÃsica da aurora terrestre, como também oferece um modelo universal aplicável a outros planetas do nosso sistema solar e além. Nossa equipe na Universidade de Hong Kong (HKU) tem se dedicado há muito tempo aos processos aurorais de planetas gigantes. Ao aplicar esse conhecimento aos dados de alta resolução disponÃveis perto da Terra, conseguimos preencher a lacuna entre a ciência da Terra e a exploração planetária.
A pesquisa foi possÃvel graças à experiência interdisciplinar que ambas as equipes trouxeram para o projeto. A equipe da UCLA, liderada pelo Dr. Sheng Tian, contribuiu com vasta experiência em fÃsica das auroras terrestres, enquanto o Professor Yao e a equipe da HKU aproveitaram seu profundo conhecimento em fÃsica planetária e magnetosferas planetárias (como as de Júpiter e Saturno).
Leitura complementar: HKU, Natureza
fonte: www.universetoday.com

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